Sarmento ilumina Squadra Azzura com chuva de golos
Abril 15, 2009 at 8:40 pm | In Historial de jogos, Torneios | 2 CommentsParece mentira, mas não é: os Atoladinhos voltaram a trucidar mais uma equipa na Liga de Ciências da Comunicação. Depois de anos de maturação (2 e meio), os jogadores atolados são como vinho do Porto dentro das pipas: estiveram muito tempo a fermentar, e estão agora a servir o doce gosto e o agradável perfume do futebol-espectáculo que anima toda a assistência, inclusive as empregadas de limpeza.
Joaquim Lázaro, ilustre empresário do sector automóvel e – não menos importante – presidente do clube Atolado, dirigiu-se ao balneário no final do jogo e, num raro momento a encarnar Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, vociferou: “Quem vier a seguir, morre!!”. Saliente-se que Vieira teve devario semelhante em 2006, quando o Benfica eliminou o Liverpool. O adversário seguinte foi o Barcelona e… eliminou os encarnados. A ver vamos se a profecia se repete.
Quanto ao jogo propriamente dito, este começou com uma aura de preocupação no seio dos Atolados. Márcio Silva, o Preud’homme de Ponte de Lima, teve de ir pagar a conta do gás e pedir a reactivação do serviço à Loja do Cidadão e não pôde jogar. Segundo o próprio, o gás era mais importante que o jogo, pois o keeper gosta de “ficar horas a cantar no chuveiro”. “Tenho cantado duas horas todos os dias, hoje não posso falhar porque a minha voz já está treinada para ir ao Toca a Cantar”.
Sem guarda-redes, Ivo Neto, o furacão de Manchester, disponibilizou-se para suprir a vaga da baliza. Delfim Machado ofereceu o corpo para substituir o famalicense, e outro famalicense, Bruno Simões, trocaria com Delfim. O jogo começou, enfim, com intenso equilíbrio. O onze inicial era composto por Ivo Neto na baliza, Hugo Pires, Diogo Fernandes FF, Delfim Machado e Pedro Sarmento.
As indicações de Simões no banco eram fundamentais para o posicionamento defensivo da equipa. As coçadelas na micose também serviam para Delfim Machado se motivar, imaginando a altura do banho. Os atolados, com segurança defensiva, tinham em Sarmento o farol ofensivo, que travou com Pedro Francisco um interessante duelo. Apesar do jogo cauteloso e com segurança nas trocas de bola, Delfim Machado, quiçá a tentar trautear a canção que tinha na sua t-shirt negra (NDR: Go Del, Go Fim, Go Del … Fim), travou-se de razões com um dos árbitros, o noviço Isaac, e quando pôs os olhos na partida já só foi a tempo de fazer penalti. Pedro Francisco encarregou-se de cobrar o castigo máximo e colocou os caloiros a vencer os doutores por 1-0.
Delfim, conforme combinado, passou para a baliza e Ivo Neto foi à frente. Nesta altura já Simões estava em campo, a agradar à assistência composta por… um redondo número de 0 pessoas. Bendita a hora que o escuteiro saiu da baliza para pisar terrenos adiantados. No primeiro remate que fez à baliza, logrou marcar um golo de belo efeito, que ainda rasou no rabo de Simões, que lhe terá alegadamente atirado uma leve bufa para colocar a bola no canto inferior direito da baliza.
O golo do empate quebrou o gelo entre os atolados, que começaram a pisar a metade mais adiantada do campo com mais regularidade. O equilíbrio continuou até ao apito para o intervalo. Havia boas jogadas de parte a parte, mas a confiança atolada era tal que até Simões conseguiu fintar Bruno Tomé, metendo o esférico entre as pernas deste. Adivinhava-se mais no segundo tempo.
Dito e feito. Após uma boa troca de bola, Sarmento recebeu o esférico, fintou para dentro e com um espantoso remate colocado enviou a bola ao ângulo da baliza, deixando os doutores no lugar que lhes é devido: a vencer os caloiros, por 2-1. Começou aqui o domínio avassalador atolado. As jogadas do Squadra Azzurra esbarravam sempre na defesa, e quando assim não era e algum se escapava, era Delfim a dar mostras de querer rectificar o erro da primeira parte com defesas seguras.
Sarmento, mais uma vez, marcou um belo golo a favor dos atolados, colocando o resultado em 3-1. Logo depois, Hugo Pires, embalado, pegou na bola na defesa, fintou Pedro Nogueira no meio-campo, arrastou consigo um azzurro e, quase em cima da linha final e já com um ângulo muito apertado, conseguiu colocar a bola dentro das redes dos caloiros, para incredulidade do guarda-redes, que nunca imaginou que aquela bola entrasse. Este golo colocou o resultado em 4-1. Começava-se a materializar a maior consistência no jogo dos atolados.
Pouco depois, num lançamento com a mão, Simões fez um excelente passe para Sarmento. A bola descreveu um arco e sobrou para o ex-Côte D’Azur, que bateu, uma vez mais, o guarda-redes dos caloiros, fazendo o hat-trick e colocando o resultado em 5-1.Depois deste golo, soou o alarme nas hostes dos caloiros. Os caloiros começaram a carregar e, pouco depois, já com Ivo à baliza, Bruno Tomé, num estupendo remate fora da área, conseguiu colocar a bola junto à barra, fazendo o 5-2. Com pendor ofensivo avassalador, Jorge Marques aproveitou uma sobra depois de um livre dos Squadra Azzurra e, descaído para a direita, bateu facilmente o desamparado (e assustado) Simões, que tinha ido para a baliza. Ficou assim feito o 5-3.
Bruno Simões ainda foi a tempo de fazer o 6-3 numa bela jogada de Sarmento, e Hugo Pires encerrou as contas com um bico (não, não é um felácio): colocou a ponta da chuteira na bola e rezou, e este acabou por entrar. 7-3, jogo arrumado, superioridade dos Atoladinhos não se contesta.
Vamos às notas:
Delfim Machado – 15: O taipense evidenciou algum nervosismo em certos momentos do jogo, bem como alguma atrapalhação. Foi da sua responsabilidade o primeio golo dos caloiros, e teve algumas outras más decisões. Porém, esteve bem à baliza e no final da partida deu um importante contributo na frente do campo.
Hugo Pires – 18: O flaviense é o cérebro dos atolados. É o responsável pelo grande equilíbrio entre todos os sectores; é importante a defender e crucial a atacar, fazendo bons dribles, bons passes e alguns bons golos. Decisivo.
Bruno Simões – 17: O Simões de Famalicão surpreendeu tudo e todos, até o próprio. Não perdeu quase nenhum duelo no lado direito da defese, e ainda conseguiu fazer o gosto ao pé. Fez uma bela assistência para Sarmento quando estava na baliza, e não comprometeu. Bela partida.
Ivo Neto – 17: Uma bela partida do centro-campista de Landim, que defendeu quase tudo à baliza, e ainda mostrou o caminho da outra baliza aos seus companheiros. Alguns passes transviados não mancham uma partida muito agradável.
Diogo Fernandes FF – 16: Não exibiu a regularidade da partida anterior, em resultado de refluxos gástricos quando estava no pique da corrida. Porém, quando o ritmo era moderado, raramente perdeu bolas, e conseguiu iniciar várias jogadas de ataque.
Pedro Sarmento – 19: Fundamental. Sarmento ataca, defende, suporta cargas, faz belos passes, enfim, é um jogador completo. Faltam adjectivos para caracterizar este magnífico jogador, que já começa a despertar a cobiça de outros clubes. Um hat-trick espelha a entrega à partida deste jogador. Melhor em campo, indiscutivelmente.
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